segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

21º Ato - O Desejo


Seu começo traz no beijo um singelo ato de carinho. O seu trato, puro tato, desperta a harmonia dos sentimentos presentes, já tão fortes e latentes, por dentre as frestas de meus dedos. E, migrando com os lábios, me embriagando com teu cheiro, antes fosse apenas fantasia, tudo passageiro, o que me percorre o corpo e me domina por inteiro.

Minhas mãos, não comandadas por mim, tomam sozinhas um destino que, por si, vão descobrindo no suor de nossas peles molhada as fendas e curvas tão queridas, tão sonhadas, nos meus sonhos mais lindos de amores sem fim. Quando descobri teu maior segredo, que teu corpo tão desejado outrora teria sido feito num molde perfeito que só minhas mãos podem se encaixar, me vi no dever de caminhar com vigor pela tênue linha entre prazer e dor e te dar meu corpo, teu corpo, todo o meu querer, num ato de vontade de ter você.

E na plenitude de nossos corpos nus, as mentes sãs perdem o nexo no novo ritmo do coração que, acelerado, perde a sinfonia com a respiração, ao achar com a boca o caminho para a perdição.

Tocando com a língua a flor de teu corpo e vendo desabrochar nas rubras maças de teu rosto, o prazer em forma de desejo te consumindo a flor da pele.

E por fim, investir meu corpo contra teu corpo, negando as leis da física, comprovando as leis da química, alcançando a celeste heresia de esquentar nossos corpos e arrepiar a parte mais sublime de nossas almas.

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