segunda-feira, 4 de abril de 2011

28º Ato - O Pássaro


Difame meu nome por uma rua e outra, me diga na cara tudo que não sente, se negue a verdade crua de saber que você procura o conforto de minhas mãos quentes sempre que chamo você. Se esconda por dentro de seus cabelos e evite me olhar fundo para não se tentar. Não fale, não responda, diga que precisa ir embora e que não pode mais ficar.
Diga isso e saia de perto de mim, ou então fale pelos cotovelos até eu pedir pra se calar, sempre que te faltam palavras e só me resta te olhar na calmaria de meus 250 batimentos, só uma vontade me consome e me dá sossego, só um desejo tira o nexo entre minhas palavras e me cala, e me estiga, e me domina as mãos e me controla os pés, é essa vontade louca de te beijar.
Não me dê desculpas ou omita seus verdadeiros motivos, quem sente o que eu sinto sempre espera, e não há coisa pior do que esperar e se frustrar. Mas se você me quer, se você realmente me quer, me expresse e me fale, com um gesto, um mero sinalzinho. E acamparei no início da tua rua, montarei uma fogueira com pequenos bancos de madeira com vista pra lua, comporei mil canções de ninar para quando estiver cansada ninar teus ouvidos e afagar teus cabelos, até teus olhos pesarem mais que meus dedos e num sono calmo ao se sentir segura, eu adormecer ao teu lado nessa nossa historia, nessa vida escura.
Não pense meu bem, que por ser assim sou fraco ou perdi minha noção... mas eu carrego meu valor no peito e sou um pássaro na sua mão, por natureza sou livre e só volto pra tua janela se tiver água fresca, sombra suave e migalhas de pão.

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